Resultados do Oscar


Marion Cotillard fazendo história

E não é que eu gostei dos resultados?!

Acabei errando as atuações femininas, embora eu tinha dito que a Tilda Swinton pudesse ganhar, mas fiquei feliz de terem dado o Oscar a Marion Cotillard, segunda vez na história dos 80 anos de Oscar, onde uma atriz estrangeira leva falando na sua língua natal. Aliás, as quatro atuações premiadas, nenhuma era americana. Talvez refletindo aí um eleitorado cada vez mais internacional.

A cerimônia em si não teve nada de especial. Nenhum momento marcante, que emocionasse, a não ser o Oscar Honorário pro diretor de arte Robert Boyle e um ou outro discurso genuíno como a da própria Marion, que parecia não acreditar. Fora isso, Jon Stewart esteve mais à vontade, com relação ao Oscar 2006, mas eu sinto falta dos apresentadores palhações, como o Billy Crystal ou a Woopy Goldberg.

E não dá pra deixar de comentar que Onde os Fracos Não Têm Vez teve uma vitória merecidíssima, com os Coen levando Direção/Roteiro. Só fiquei meio assim, com o Transformers não levando nada.

Ah sim, uma dúvida: no momento do clipe dos 79 filmes ganhadores do Oscar de Melhor Filme, qual é aquela música? Faz 10 anos (sério) que eu quero saber que música é aquela!

Palpites para o Oscar 2008


A estatueta do Oscar, jovenzinha aos 80 anos

E chegamos mais uma vez em outra premiação do Oscar. Mais ou mesmo, de repente, mas há pontos que fazem desse ano, um pouco diferente. Foi uma época de pré-premiação um pouco estranha. O início dela foi marcado pela tentativa de suicídio de um dos atores mais promissores dessa geração (Owen Wilson); posteriormente outro ator jovem veio a falecer (Brad Renfro) e a temporada de tragédias culminou com a morte do Heath Ledger. Fora isso, houve também a greve dos roteiristas, que acabou ameaçando a própria festa do Oscar e trouxe prejuízo de US$ 2,5 bilhões, mostrando que a classe tem sim uma enorme força na indústria. Fora isso, o Oscar chega aos seus 80 anos, que por si só já seria uma particularidade.

Mas vamos à festa em si. Esse ano, tivemos uma ótima safra de filmes, alguns mais injustiçados que outros, mas faz parte do jogo, já que não há como saber o que os quase 6.000 membros estão pensando (ou se viram mesmo todas as centenas de filmes aptos para concorrer).

De acordo com os prêmios dados até agora, Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez) e Cate Blanchett (Eu Não Estou Lá) devem sair com os Oscars de coadjuvantes. É bom ressaltar que essas categorias sempre reservam surpresas, como Alan Arkin ano passado, quando todos indicavam Eddie Murphy, Marcia Gay Harden, que só havia ganho o prêmio do Círculo de Críticos de NY, James Coburn que não havia ganho nada até aquele momento e levou o Oscar de coadjuvante pelo Temporada de Caça, e etc. Mesmo assim, a categoria que pode dar alguma surpresa, pode ser a coadjuvante feminina, de repente, o prêmio indo pra Ruby Dee ou a Tilda Swinton.

Nos atores, há chances claras para dois candidatos em cada categoria. Em atriz, Julie Christie (Longe Dela) sai na frente por ter ganho o prêmio do Sindicato dos Atores, que representa 25% dos votantes da academia. Mesmo assim, a atriz Marion Cotillard (Piaf: Um Hino ao Amor) está bastante cotada. Marion tem contra ela o fato de ser estrangeira, num filme falado em sua língua natal. A única vez que isso ocorreu foi com a Sophia Loren, no filme Duas Mulheres. Porém, a Julie Christie já ganhou um Oscar de atriz, com Darling - A que Amou Demais, o que pode dar certa vantagem pra Marion. Em todo caso, aposto na Julie Christie.

Na categoria de ator, Daniel Day-Lewis era barbada até tempos atrás, mas rumores dizem que George Clooney conseguiu dar uma arrancada no final. Clooney é um ator super querido por lá, e com certeza teve muita gente que fez campanha por ele. Mas a atuação do Daniel Day-Lewis é tão magnífica que eu acharia sacanagem o prêmio não ir pra ele, mesmo ele já ter ganho um pelo Meu Pé Esquerdo.

No restante da premiação, pelo menos baseado nos prêmios de sindicatos e associações, o embate da noite deve ficar entre Onde os Fracos Não Têm vez e Sangue Negro. Porém acredito que o prêmio de Direção/Roteiro Adaptado/Filme fique mesmo com a fita dos Coen. Aliás, o Oscar quebraria uma tradição, dando o prêmio pra dois diretores. A única vez que isso ocorreu foi com o Amor, Sublime Amor, de 1961 (Jerome Robbins e Robert Wise), lembrando que ano passado, Pequena Miss Sunshine, de dois diretores, nem chegou a concorrer.

Como curiosidade desse ano, eu citaria as 3 canções indicadas do mesmo filme (Encantada). Como ocorreu no ano passado, pode-se dividir os votos e a música de outro filme ganhar. Outra coisa é o Kevin O´Connel, o cara chega na sua vigésima indicação pelo departamento de som sem nunca ter ganho nenhum prêmio, recorde absoluto; esse ano ele concorre com Transformers. Mas as estrelas mesmo serão os roteiristas, que provavelmente serão bastante aplaudidos quando forem receber seus prêmios.

Agora, é esperar pra ver e torcer, e sorte de quem não depende da Globo, já que a emissora sempre corta o início pra dar prioridade ao Big Brother Brasil.

Sangue Negro (Paul Thomas Anderson, 2007)


Ladies and gentlemen... I've traveled over half our state to be here tonight

Em geral, todos temos medos de perder algo, seja alguém que esteja próximo de nós, ou mesmo um objeto de valor afetivo. Por isso, acaba sendo assustador quando nos deparamos com alguém que não se incomode com esse sentimento, ou pelo menos não deixe-o transparecer. O personagem de Daniel Day-Lewis em Sangue Negro condiz com esse tipo de gente. Mas seria muito simples dizer que ele é mais uma daquelas figuras cinematográficas que fazem de tudo para ser poderosas. A persona de Daniel Plainview (a graça de seu personagem) é muito mais complexa, e vai sendo descoberta ao longo das quase 3 horas de filme por nós e creio que por ele.

Sangue Negro é passado no início do século XX (tem sua introdução no final de 1800), mas trata de assuntos que são atemporais como avareza e fanatismo religioso, que muitas vezes estão intimamente ligados, nesse caso entram em conflito. Enquanto Daniel Plainview inicia o filme como um minerador que descobre que pode obter sucesso na indústria do petróleo, por isso começa a investir na prospecção do óleo. O jovem pastor Eli, faz de tudo para que sua igreja (denominada "A Terceira Revelação") cresça. O encontro entre os dois ocorre quando Paul, irmão gêmeo de Eli vai a procura de Daniel e lhe conta - em troca de uma boa quantia - sobre uma região árida e ainda inexplorada pelas grandes companhias petrolíferas. Dessa forma Plainview se instala no local e à base de negociações vai se apropriando de todas fazendas e construindo seu próprio império a partir da prospecção de petróleo e do controle dos trabalhadores na região. Mas as interferências de Eli na busca pelo crescimento de sua igreja, acabam se tornando um obstáculo nos negócios de Daniel, e logo os dois estão se confrontando na procura de influências na região.

Apesar das suas habilidades em convencer o povo a fazer o que lhe convém (usando o filho como forma emocional de persuasão), Plainview ainda guarda um lado humano, mas conforme ele vai obtendo sucesso com tudo aquilo que investia, sua índole ia se modificando, demonstrando a complexidade do personagem. Na cena do "gas", onde há uma incêndio no poço de petróleo, é onde tudo se modifica drasticamente, além de nós observamos a absurda capacidade de direção dos atores e da belíssima fotografia, é incrível notar como a sua concepção dá outro rumo história e nós começamos a perceber Daniel Plainview como um homem definitivamente capaz de abandonar o pouco do que existia do seu caráter e tudo aquilo que possuia (como seu filho) em busca do capital.

P.T. Anderson, após pérolas como Magnólia e Embriagado de Amor (ainda não assisti Boogie Nights), mais uma vez é brilhante em sua direção, através de uma narrativa inconstante - ou talvez seria melhor falar mutável, pois esse termo parece um pouco pejorativo, mas nesse caso é fantástico, notem como o filme fica confuso (com contribuição direta da montagem e da trilha) quando Plainview começa a se aproximar de Henry Brands e quando esse ato é finalizado as coisas voltam a se encontrar -, ele nos dá uma bela mostra da onde a ambição dos seres humanos pode chegar. Além da cena já comentada nesse texto, não posso deixar de observar outras, como o batismo e a final, em ambas o embate entre Daniel e Eli é intenso, tratando de valores imorais como a submissão em prol de obter algo. Embora a relação de Plainview com a igreja de Eli talvez seja o único elemento que poderia ser mias bem explorado.

Daniel Day-Lewis demonstra com precisão nos gestos e olhares de seu personagem o motivo de conquistar o Oscar de melhor ator desse ano (e eu nem preciso ser vidente para isso né?). Paul Dano também faz um belo trabalho apesar de parecer levemente histérico em alguns momentos, ainda sim merecia uma indicação para o Oscar. A fotografia e edição do filme também são elementos marcantes, e por fim não poderia deixar de lado a trilha sonora introspectiva composta pelo mr. Jonny Greenwood, que para quem não sabe é o guitarrista do Radiohead. Aliás, se alguém estiver com curiosidade de ouvi-la, eu resolvi dar um upload, e aí está o link:

http://rapidshare.com/files/92387465/Jonny_Greenwood_-_There_Will_Be_Blood__2007_.rar

Nota: 80

Trailer de Indiana Jones e o Reino das Caveiras de Cristal



A gente, como fãs que somos, não podemos deixar passar o primeiro trailer da quarta aventura do moço de terno aí de cima!! Trailer:

http://movies.yahoo.com/feature/indianajones.html?showVideo=1

Aproveitando, PARABÉNS PIPS!!!!!!!!!

Juno (Jason Reitman, 2007)

Pensar em gravidez na adolescência é geralmente pensar em irresponsáveis jovens; beberrões, promíscuos, etc. À primeira vista pode até ser, mas chega aos cinemas "Juno", um esquivador de clichês cinematográficos. A proximidade com os clichês do gênero ainda não reconhecido (oficialmente, mas que já tem até festival em São Paulo), o indie, é o que cria a expectativa do espectador, para logo após seguir outro rumo. Claro que a trilha sonora tem suas identificações com esse 'gênero' como Cat Power Belle & Sebastian, mas também trazendo velharias, que figuraram na lista da Billboard depois do lançamento do filme, como Buddy Holly, The Velvet Underground, entre outros.

Diferente de histórias de gravidez na adolescência, a jovem Juno MacGuff (Elle Page) não a esconde e muito menos fica se lamentando, isso traça parte de sua personalidade como uma jovem verdadeiramente forte, apesar de imatura, e que realmente parece saber o que quer sem saber o que quer. Não há apelações para o dramático; ela não deve manter relacionamento com o pai da criança, os seus pais não parecem tão chocados com a notícia (inclusive ajudam em todos os sentidos) e as únicas pessoas mais conservadoras do filme são os alunos do colégio de Juno. A personagem tem destaque, tanto pela força de Elle Page como sua maneira de encarar a gravidez e estranhisse que causa nos colegas. Ela se aproveita de cada momento que pode para exibir a barriga, soltar um sorriso irônico e sem se importar em fazer piadas, ao contrário de constrangedoras ou patetas, piadas de cunho altamente crítico não apenas de si mesma, mas de todos ao redor. É claro que a fórmula Gilmore Girls existe (piadas e falas rápidas com base na cultura pop/cult), entretanto a genialidade do roteiro é a de escapar pela tangente não deixando essa característica forçar demais os filmes que já vem nesse molde. Essa pose carregada de ironia, piadas e rock 'n' roll serve apenas para revelar a confusão de Juno em contato com a vida adulta, não dela, mas de outras pessoas. Quando decide entregar seu bebê a um casal rico, os Loring, vemos que ela ainda não sabe lidar com certos limites da vida adulta.

O casal Mark Loring (Jason Bateman) e Vanessa Loring (Jennifer Garner) são o retrato do mundo moderno, dois sonhadores. Mark é um ex-roqueiro que se 'vendeu' para a mídia para construir uma família e ao invés de amadurecer com a idéia de ser pai, ele começa a regredir passando por uma crise de meia idade ao se reconhecer, e se identificar, tão rebelde quanto a jovem que carrega seu filho, essa regressão o torna um adolescente patético não querendo crescer e vivendo de sonhos, agora, inatingíveis. Essa relação mostra a falta de tato de ambos, Juno e Mark, para criar vínculos na vida adulta, que esquecem dos tais limites que um casamento impôe. A inocência da menina é comprovada quando ela julga conquistar um amigo para falar sobre música e cinema, enquanto ele acredita encontrar nela a liberdade para as responsabilidades da vida. A película ganha força com esses personagens, que fazem parte de uma nova educação onde adolescentes demoram para se tornarem adultos.  Por outro lado Vanessa é a mulher que sempre quis ser mãe, mas não da maneira correta, instintiva. É aquela mãe que gosta de dar festa de criança para reunir a família e amigas que têm filhos, gosta de bater várias fotos de seu filho para mostrar a todos seu amor, comprar novidades em lojas de crianças, etc. Sua falta de apego com o emocional, pouco mostrado e desenvolvido por Jennifer Garner, a tornam esse tipo de mãe.

Os personagens do filme não são caricaturas, apenas criam características maquiadas de esteriótipos, como o pai que aparenta ser superprotetor, mas é apenas uma pose (como todos os outros personagens que vivem da pose: cool, maduros, nerds, descolados, etc) ou a madrasta que horas parece uma pessoa indiferente e em outras uma pessoa carinhosa (aliás, a relação aqui mostra como enteados podem ser os verdadeiros causadores da discórdia). Em momentos como esse, as pessoas se tornam mais verdadeiras, capazes de quebrar suas próprias escolas de conduta, e é por isso que "Juno" é um filme verdadeiro, não está aqui para ter uma moral, é uma crônica bem humorada sobre gravidez e amadurecimento.

Onde os Fracos Não Têm Vez (Joel Coen & Ethan Coen, 2007)


Javier Bardem em seu momento de êxtase

Quem lê a sinopse do filme Onde os Fracos Não Têm Vez, acaba achando que o filme é apenas uma historinha de polícia e ladrão. O cara que acha uma mala de dinheiro no meio do deserto, o cara mal que está atrás dele e o policial atrás de ambos.

Na verdade, o filme dos irmãos Coen acaba sendo muito mais do que isso. A força das duas horas do filme reside justamente na noção de que aqueles três personagens representam algo maior. Tommy Lee Jones é a espinha dorsal da história. O título diz respeito à ele e é nele que recai toda a desesperança, o sistema cansado e atônito de uma época onde matar virou algo totalmente banal. Época retratada no filme, lá pelos anos 80, época que perfeitamente poderia se aplicar à nossa.

Javier Bardem representa a violência pura e simples. Da onde ele veio? Pra onde vai? São perguntas sem respostas, assim como um ato de atrocidade cometido contra outras pessoas: não há explicação. Seu personagem é tudo aquilo que está tomando conta do sistema. Seu rosto sem expressão é impressionante, assim como seu método de agir, simplesmente igualando as pessoas à gados.

Josh Brolin é o cara comum, suscetível, ganancioso. É a maior parte da população, do sistema, corruptível, que quer se dar bem, que quer ajudar a esposa a ter uma vida melhor. É nele que a maioria vai se identificar. E é justamente ele que perde a vida, nesse jogo entre a violência e o sistema.

Três personagens, três representações maiores, que fazem do filme uma das melhores coisas dos últimos anos. Além disso, a maneira como os Coen jogam com o anti-clímax é brilhante. Cenas de embates não precisam ser mostradas pra sabermos como aconteceu, como é o caso do cenário onde é achado o dinheiro, ou mesmo da morte do Josh Brolin e da sua esposa. Quem dirá o final do filme, que deixa muita gente não entendendo nada. Mais um ponto positivo do filme.

Pra finalizar, é interessante a cena dos garotos no filme. Na cena em que o Josh Brolin cruza a fronteira, o menino dá sua jaqueta à ele depois do primeiro lhe dar dinheiro, e queria mais pela cerveja. É o cara comum sucumbindo. No final do filme, no acidente do Javier Bardem, vemos dois garotos e um deles lhe entrega sua camisa sem querer nada em troca. É o cara comum ainda inocente, não contaminado pelo mundo em que vive. Dois paralelos de uma mesma pessoa, em épocas diferentes. E assim, os Coen finalizam o filme com uma ponta de esperança.

Nota: 87

Olá, eu venho sempre aqui.


O nome dele é João

Ou se não vinha, começarei a partir de agora. Sou novo nesse blog e creio que com uma mão a mais para escrever, o Tisf e o Pips pretendem dinamizá-lo. Para haver um bom início, eu digo que não pretendo me prolongar na apresentação, afinal, enquanto eu for postando, vocês vão acabar me entendendo melhor. Então vamos ao que interessa...

É triste que logo no meu primeiro post eu venha a comentar um filme nacional que não tenha me agradado, mas me sinto na necessidade de falar o que penso sobre “Meu Nome Não É Johnny”. Baseado em fatos reais, é mais uma história sobre drogas, traficantes e elementos do gênero. O personagem principal é João Estrella (Selton Mello), um playboy na zona sul do Rio que desde a infância sempre teve tudo o que quis e através da filosofia de vida de seu pai cresceu não se importando em ser “alguém na vida” (em certo momento ele diz “a vida é como uma raposa, portanto, aproveite-a ao máximo” ou algo assim, enfim), e todo o dinheiro que tinha gastava dando festas. Até então, não há muito que criticar além do fato de ter como base uma história bem rotineira. O fato é que João começa a se envolver com um traficante (não me perguntem exatamente como isso acontece, sinceramente não consigo me lembrar). Rapidamente, ele passa da situação de cliente para a de vendedor. E a partir daí, mesmo quem não tenha assistido ao filme já consegue ter uma idéia dos contornos da trama.

O primeiro ato engana bem contando aquela básica historia sobre a juventude do rapaz. A coisa começa a ficar feia no momento que João começa a atuar como traficante. As primeiras cenas com o “Johnny-trafica” mantém aquele ritmo compra-vende, compra-vende. Quando o diretor percebe que isso não funciona e está se tornando entediante, eu tive a impressão que ele começa a cria uma serie de episódios e obstáculos para o protagonista. Contaram-me que o diretor Mauro Lima é conhecido por aí como um bom curta-metragista, eu pesquisei a cerca dessa informação (de fontes seguras) e não encontrei muito, se alguém puder me confirmar eu agradeço (nota: No imdb o único filme “relevante” que consta além desse na carreira do diretor é “Tainá 2 – A Aventura Continua”, etc), mas se ele realmente for diretor de curtas está aí um bom motivo para os sketches que se encontram no filme (algo como: Johnny e os policiais trapalhões, Johnny vai a Europa se divertir, Johnny e a prisão). Mas esse problema poderia ser menos relevante se os diálogos funcionassem bem, porém, o filme se sustenta nos diálogos, e eles são ruins. Digamos que eles conseguem enganar muito bem ao longo do filme devido às passagens engraçadas, e de fato elas são, mas isso se dá grande parte devido a algumas excelentes atuações como a do Selton Mello (o que não é novidade para ninguém) e de uma dupla de policiais (não sei o nome, mas são ótimos, especialmente o chefe) que acompanham João em um momento do filme. Mas nota-se a fraqueza dos diálogos que parecem ter saído de algum manual de auto-ajuda para sobreviver na malandragem das noites cariocas, especialmente por parte do protagonista, é uma quantidade de “bate-prontos” que chega a irritar em certo ponto do filme. Para piorar há um bom número de cenas com falhas grotescas e até mal conduzidas, como a forma (nenhum pouco convincente) encontrada para safar João e sua namorada (interpretada pela deliciosa Cléo Pires, que apesar disso não consegue se encontrar no filme) da blitz da polícia espanhola e a aparição final totalmente surreal do médico drogado, que se converte em uma das cenas mais constrangedoras do cinema nacional.

Após assistir há pouco tempo o “Cheiro do Ralo” que eu achei decente, “Meu Nome não é Johnny” foi uma decepção, não que esperasse uma obra prima, mas no mínimo algo que valesse o dinheiro gastado para a sessão. A minha nota antes de começar a escrever essa crítica era mais alta que 38, mas acredito que essa seja a cotação ideal para um filme que mesmo com uma enormidade de coisas que eu desgostei tem lá suas passagens divertidas.



“Kairo” é mais um daqueles filmes de terror japoneses que foram “premiados” com um remake por parte dos norte-americanos (que se chama Pulse), não tive oportunidade de assistir a versão ocidental e confesso que não tenho muito interesse conhecendo a procedência de filmes como O Chamado, e assim por diante. Portanto, vou me limitar a comentar do original. Kiyoshi Kurosawa é conhecido como um dos grandes diretores do gênero de horror no oriente, ainda não havia assistido nada dele e devido a bons comentários sobre o Kairo decidi que esse seria o primeiro. Creio que tenha feito uma boa escolha. O filme fala da relação da solidão com a modernidade em que vivemos, e como pano de fundo para discutir o argumento utiliza fantasmas que começam a surgir na internet e a partir dela vir ao mundo real. Pode se parecer uma temática um pouco bocó, mas para mim funcionou muito bem.

Nos seus (aproximadamente) 60 minutos iniciais o filme tem alguns problemas como certa falta de suspense nas cenas (aliás, o sujeito que produziu o trailer do Kairo é um gênio, ele adicionou mais dose de terror – visualmente falando – do que o filme tem nessa primeira metade), a trilha sonora é extremamente desagradável em alguns momentos, que seriam claramente mais aterrorizantes se houvesse silencio e a falha mais contundente é a metalinguagem desnecessária relativa ao tema de algumas cenas. Porém, o esperto Kiyoshi (não vou chamá-lo pelo sobrenome para não haver nenhuma confusão), apesar de todas as falhas mantêm alguns elementos misteriosos como uma serie de portas lacradas com fitas adesivas vermelhas, excelentes alegorias para reforçar o argumento do filme. Além disso, um sentimento de vazio (literal) vai sendo gerado no decorrer do filme. É a partir dos 40 minutos finais, que o filme torna-se caótico e trás a tona a solidão já comentada aqui. Para manter um mistério, e deixá-lo curioso para assistir ao filme, acho que não valha a pena comentar muito mais sobre essa segunda metade do filme. Só peço que atentem uma cena passada no metrô, que particularmente é minha favorita. Ah é, a música dos créditos é espetacular, mentira, é um J-Pop/Rock comum (Cocco - Hane Lay Down My Arms, para quem tiver interesse de procurá-la), mas o efeito que ela surte em contraponto a tensão do filme é excelente, algo como a canção no meio do Mal dos Trópicos invertida (porque lá a tensão começa a aparecer depois dela, PS: Isso é viagem minha). Nota 69.

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