Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Steven Spielberg, 2008)


Shia, Ford e Allen: areia modeviça!

Confesso que estou bastante aliviado escrevendo sobre o novo filme do Indiana Jones. Depois de descrever meu medo com relação à ele, minhas persepções começaram a mudar assim que o símbolo da Paramount virou aquele montinho de areia e uma toupeira saiu de dentro dele. E depois vieram os créditos iniciais, coisa que é praticamente abolida nos filmes de hoje. Sim, estava realmente vendo outro filme do Indiana Jones no cinema!!

Além de ser um exercício de nostalgia, afinal passaram-se 18 anos desde que vi A Última Cruzada na tela grande, o filme conseguiu resgatar o termo aventura, mantendo-se fiel aos preceitos originais: homenagem aos filmes dos anos 30 e 40, flertando com o Filme B. Harrison Ford está muito bem, que em certa altura esqueci que já estava com mais de 60 anos. A volta da Karen Allen também foi bastante foda, especialmente na cena em que ela faz cara de apaixonada depois dele falar que todas as mulheres tinham um defeito: não ser ela.

Já o personagem do Shia, apontado como o sucessor, também esteve bem. Aliás, o Spielberg faz uma brincadeira no final com o fato dele provavelmente ser o próximo Indiana Jones. Mas isso, como o próprio diretor disse, vai depender do público (a.k.a. bilheteria).

Até agora, a melhor sequência de perseguição, pra mim, tinha sido a dos carrinhos na mina em O Templo da Perdição, mas dessa vez, acho que a sequência na floresta, entre os carros, está lado a lado. Mas o filme é perfeito?? Não, infelizmente há defeitos. Cate Blanchett está um pouco caricatural demais, embora tenha presença forte na tela e o personagem do William Hurt está meio deslocado e me trouxe algumas dúvidas como: por que diabos ele não entrou na cidade se ele sabia como fazer isso?

Enfim, mas o importante é que o filme manteve o nível dos anteriores, usando da mesma fórmula, coisa que está sendo motivo de críticas negativas, já que não há inovação (seria o mais do mesmo). Mas em se tratando de Indiana Jones, acho que inovar é que seria um ponto negativo, pelo menos pra mim.

Portanto está dado o veredito: Indiana Jones voltou por cima e provou que continua sendo sinônimo de filmes de aventura. Escrever sobre o final seria estragar pra quem não viu, mas adianto que tem referências a filmes anteriores de Spielberg. A foto que eu coloquei, de areia movediça (areia movediça!!), é uma homenagem à sequência mais hilária do filme. 

Nota: 76

O Retorno, a Volta, o Regresso e o desaparecimento

Como posso me desculpar pela ausência nos últimos tempos? Claro que posso relatar minhas férias do mundo cinematográfico, o que geralmente é a minha desculpa para não pisar (teclar, digitar, redigir) nesse blog. Acontece que dediquei o pouco do meu tempo vago para atividades lúdicas e isso com certeza não é crime. E quando pensei em lúdico abri diretamente o Houaiss, para ver se eu ainda tinha noção do significado e finalmente percebi que o Última Sessão não tem entrado na definição: "3. que se faz por gosto, sem outro objetivo que o próprio prazer de fazê-lo". Não que o cinema esteja perdendo sua força comigo, continuo nas jornadas de ver e rever, porém com menos freqüência, talvez por simples vontade de hiato ou por simples capricho de ter companheiros talentosos levando nas costas. Uma das minhas atividades extra-blogueiras é, ironicamente, postar em um blog-website (Meia Palavra), como estou atento ao que acontece por lá e é um trabalho voluntário, não queria abandonar no primeiro mês, então virei minha atenção para livros, teses e ensaios visando escrever artigos mais elaborados (e não complexos, por favor). Só que me aprofundei tanto que ao escrever o terceiro ensaio/coluna amarelei e da pior maneira! Li um texto fraco, cheio de cortes e falta de referências, ou seja, pensei ter perdido a aura de pesquisador que pretendo seguir ano que vem (com uma pós-graduação, quiçá um mestrado). Relutei. Percebi que esse espaço é sim para diversão, mas daquele tipo que quando leio penso: "poderia ter escrito melhor", e no artigo seguinte ele aparece com mais consistência.

Vamos ao que interessa nesse mundo que mata a imaginação. "Crimes e Pecados" (1989), de Woody Allen, figurou pelo TC Cult e pude perceber como ele perdeu o tato em "Match Point" (2005). Enquanto no primeiro temos duas tramas que só se encontram no final, no segundo temos uma história de grande introdução para tentar criar um suspense. O ponto de virada do filme estrelado por Scarlett Johansson é quando Nola (Johansson) decide revelar seu caso com Chris (Jonathan Rhys Meyers) para a mulher dele, nesse tempo Chris enrola a amante até planejar o assassinato a melhor maneira de "Crime e Castigo" (livro que aparece diversas vezes nas mãos de Chris). Acontece que esse ponto de virada é o pontapé inicial para "Crimes e Pecados", Dolores (Anjelica Houston) decide revelar seu caso com Judah (Martin Landau), além de contar os diversos atos ilícitos que o tornaram rico. Em paralelo um cineasta (Allen) frustrado vê como última chance fazer um documentário sobre um produtor de TV, casado com a mulher que ele ama. O plot é o mesmo, porém usando o ponto crítico da situação do adultério logo no começo da narrativa, Allen consegue aprofundar em temas que sempre lhe são bem-vindos: existencialismo, paranóia, amor, ódio, orgulho, etc. "Crimes e Pecados" não é apenas um filme de suspense sobre o que irá acontecer, mas pelo que poderia acontecer, o balanço entre as duas histórias, o torna um grande ensaio sobre a ambivalência de um ser humano, enquanto em "Match Point" o que interessa é o suspense cru com toques de uma traição ardente. Pelo que andei vendo de sinopses e trailer, "O Sonho de Cassandra" (2007) não foge dessa perspectiva de suspense levemente baseada em "Crime e Castigo". Para não parecer um verdadeiro plágio de Dostoievski, Allen sempre muda o foco, mas se é para continuar a homenagear fiquemos com "Crimes e Pecados" pela sua elegância e "A Última Noite de Boris Grushenko" (1975) por suas descaradas referências.

E há mais ou menos duas semanas atrás foi aniversário de "2001: Uma Odisséia no Espaço", filme que deixei esquecido na minha prateleira por  dois longos anos. Porém a lembrança do seu 40º me fez perceber como mudei minha visão do filme e na última cena quase cai em prantos de tanto medo, emoção e tantos etc. A narrativa carregada pela trilha sonora é magnífica e as grandes referências a Nietzsche (no qual estava apenas sendo introduzido na época da última visita a película) fazem uma leitura muito aprofundada (homem e super-homem, evolução, Deus está morto, mas de acordo com as camisetas da faculdade de teologia: "Nietzsche está morto - Ass. Deus") do que sempre será a segunda obra-prima de Kubrick (alguém ainda dúvida que "Barry Lyndon" seja superior?).

Fora esses anedotas pitorescos, puros fogos de artifício (para parecer que assisto filmes importantes, sendo que eles são superpops, sem contar a citação do ilustre Nietzsche), vamos escancarar a faceta pop quando falamos de "Superbad - É Hoje", uma comédia que não é indie (ainda mais nos dias de hoje, se bem que os nerds estão presentes)! Contando a história sobre três, dois na verdade, amigos que precisam comprar bebidas para uma festa e se darem bem. OK, até aí isso não é novidade nesse gênero, geralmente mudamos o produto de consumo para drogas, camisinha, pornografia e mulheres. Porém o humor não chega ao nonsense sem graça com tiradas apenas adolescentes e humor escatológico. Fala sobre o tabu de amor e paqueras, amizades verdadeiras e compradas, "ser legal" e medo de crescer. Aliás, crescer e ser legal não é papel para os protagonistas Evan e Seth e sim para Fogell (que adota o nome de Mclovin) e os policiais Slater e Michaels (sendo agentes da lei, não querem parecer durões).

Esquecendo um pouco o cinema, recomendo o seriado "Em Terapia" que começou a ser exibido essa semana pela HBO, todos os dias às 20:30. A história segue as sessões de Paul Weston (Gabriel Byrne), um psicoterapeuta, e seus pacientes. Cada dia é um paciente diferente: Segunda-feira é dia de atender Laura, uma bela anestesista que se apaixona por Weston. Às terças, Alex um piloto arrogante que participou de uma missão no Iraque. A ginasta Sophie, vítima de um acidente, é ouvida às quartas-feiras. Às quintas Jake e Amy, um casal em crise. Sexta-feira é um dia atípico para Weston. Na ocasião, ele desabafa com a colega Gina (Diane Wiest - "Tiros na Broadway" e "Hannah e Suas Irmãs"), já que está se tornando intolerante e colocando em risco a própria carreira. Assim a escolha fica para nós telespectadores: quem queremos ver em tratamento? Claro que um dia as sessões de algum personagem vão acabar. A proposta é boa e bem executada. Não é um drama uma hora, mas cravado em trinta minutos. Só espero que não haja um deslize e Paul vire uma caricatura de psicólogos.

E vamos seguindo Cannes...

Ou não. O presidente do Júri do ano passado Wong Kar Wai estreiou no cinema de Hollywood com "Um Beijo Roubado". A proposta é indecente: diálogos fracos, trilha sonora repetitiva (e reprisando o tema musical de outro trabalho do diretor, Amor à Flor da Pele), uma massiva tentativa de mostrar as transformações do ser humano com o passar do tempo (esse negócio de música lenta + câmera lenta só deixa o lado brega do diretor evidente) e as coisas que deixamos para trás na tentativa de superar o passado. A fotografia é o grande atrativo junto com o diálogo entre Chan Marshall (Cat power) e Jude Law, aquilo sim é uma reflexão sobre o tempo e as pessoas, mas não salva o final piegas.

Da série "filmes subestimados"


Hal e Emile tomando um sol

Gente, estreiou Speed Racer sexta passada, o que me fez recordar, já que o protagonista é o mesmo, de como Na Natureza Selvagem (Into the Wild) foi praticamente ignorado nos cinemas brasileiros (e do exterior também).

Ok, senti que o Sean Penn fica no limite da breguice e do piegas, que o filme peca de vez enquando em não ser sutil, abusa das tomadas do Emile correndo em câmera lenta e abrindo os braços em cima de montanhas e a câmera girando em sua volta, e etc e etc... MAS mesmo com tudo isso, o filme me destroçou. Voltei pra casa e nem sabia o número do ônibus que eu tinha pegado. Substituiria tranquilamente a indicação ao Oscar do Jonnhy Depp para o Emile Hirsch.

Enfim, esse post foi só para lembrar da existência do filme, que espero, tenha mais sucesso nas locadoras.

*ao som de Rise, Eddie Vedder*

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