Batman - O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 2008)


O trio de protagonistas brincando de esconder seus olhos

Dizem que a maioria dos filmes refletem a época em que são lançados. Mesmo se estamos falando de filmes de época, sempre dá-se um jeito de colocarem alguma crítica contemporânea de maneira à se fazer paralelos com os dias em que é lançado.

Cavaleiro das Trevas é um bom exemplo disso. Como já falaram tudo o que tinham que dizer dele, sobre ser um marco nos filmes baseados em HQ, sobre o roteiro magistral etc, vou me ater às comparações inevitáveis dos Coringas.

A morte lamentável do Heath Ledger, antes de conseguir ver seu legado ao cinema, tornou o filme o mais esperado do ano, e o ator foi protagonista de uma das maiores viradas de mesa que se tem notícia. Interpretar o Coringa, marcado por um astro como Jack Nicholson deve o ter assustado de início, afinal, o personagem e o ator estavam alçados à um patamar meio mitológico desde o lançamento do primeiro Batman em 1989. Por isso, o pé atrás de muitos com a escolha do Ledger. Inclusive quando saíram as primeiras imagens dele como Coringa, diziam que estava horrível, e que o batom parecia ter sido passado por alguém com Parkinson. Ok, nada como o tempo pra se desfazer primeiras impressões. Heath Ledger não só incorporou o Coringa, como atropelou o mitológico Jack Nocholson em um dos seus personagens mais marcantes.

Porém, será que é justo dizermos que o Coringa anterior foi superado? Mais uma vez voltando ao início: ambos os filmes refletem épocas distintas separadas por quase duas décadas. O Coringa de Nicholson era mais caricato, e tinha uma certa aura de ingenuidade. Seus brinquedos refletiam muito isso. Já o atual é chamado de terrorista, é o caos personificado, o medo, um mundo pós-11 de setembro, paranóico, com cidadãos fora do controle. Eu diria que a composição do novo Coringa é algo como Javier Bardem fez em Onde os Fracos Não Têm Vez, onde eu havia dito aqui no blog que ele personificava a violência sem explicação. Ledger encontra paralelos no assassino brutal do filme dos Coen, mas em Batman, seus efeitos são potencializados, já que envolve toda Gotham e coloca inclusive personagens secundários e figurantes diante de decisões importantes. Aqui cabe um comentário que li no Discreto Blog da Burguesia, muito bem observado pelo Rodrigo, sobre o Dilema dos Prisioneiros. O filme acaba sendo um exemplo brilhante para aulas de Economia.

É por isso que são mundos diferentes. Sentimentos diferentes porém passados na mesma cidade, Gotham, que é uma alegoria de todas as grandes cidades. Sendo assim, acho que Ledger merece receber sim a coroa de maior Coringa do cinema, mas não porque superou em interpretação o anterior. Jack Nicholson fez o que tinha de ser feito naquele momento e o adjetivo de "insuperável" pairou sobre ele por anos e anos. Ledger merece receber como prova da mudança do mundo. Além de ter entregue uma atuação brilhante logicamente, ele é o símbolo de um tempo em que as coisas evoluíram para algo muito pior, e como ele mesmo diz no filme: sem volta.

Nota: 86

Novas regras para o Oscar 2009


A turma de "Nowhere in Africa" com o Oscar em 2003: tirando o prêmio do Brasil?

Atenção, novas regras para o Oscar do ano que vem. Apesar de já terem sido divulgadas um tempinho, acabamos não comentando por aqui.

Pois bem, a primeira delas é com relação à canção. A partir do Oscar 2009, apenas duas músicas por filme poderão ser indicadas. Caso haja uma terceira música bem votada, ela será desconsiderada e a próxima canção com mais votos (de outro filme) será indicada. Isso é especialmente direcionado à dois casos recentes: Dreamgirls e Encantada. Ambos os filmes tiveram 3 canções indicadas, mas nenhuma ganhou. Aliás, isso dá a chance de boas músicas não ficarem de fora, como por exemplo, as da trilha de Na Natureza Selvagem, um atentado ocorrido esse ano.

A outra regra é com relação à filmes estrangeiros, esta mais interessante para nós. Essa regra veio no bojo de ausências importantes na lista final dos indicados ao prêmio, como Cidade de Deus, Volver, 4 Meses 3 Semanas e 2 Dias e por aí vai. Até 2008, os filmes indicados e o vencedor eram totalmente escolhidos por um grupo especial votante da categoria. Agora o processo será mais complicado, mas aparentemente muito mais coerente com os gostos em geral. Os 9 finalistas à disputa para as 5 indicações serão selecionados da seguinte maneira: o comitê especializado em filmes estrangeiros escolhe 3 finalistas, e os outros membros da Academia escolhem mais 6 finalistas, desde que eles tenham assistido a um número mínimo (não divulgado) dos filmes na disputa. O voto final dos 5 indicados e do vencedor será dado pelo comitê de produtores cinematográficos. Os 9 finalistas que me referi acima seria algo como uma "peneira", onde O Ano que Meus Pais Saíram de Férias acabou passando esse ano, mas no final, não entrou entre os 5.

O que acham das novas mudanças?

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